cali (renato caliari)
processo terapêutico e encontros participativos | indivíduos, grupos e organizações
filosofia
não acredito em verdades universais, valores absolutos ou propósito de vida único. identidades são múltiplas e contextuais.
não simpatizo com autoritarismo, políticas dominadoras ou punição retributiva.
simpatizo com pluralidade, convite em vez de coação e práticas de contenção e suporte.
não acredito em modelos de convivência ideais e universais.
acredito em acordos práticos locais, experimentais e transitórios.
prefiro perguntas a respostas, observações a avaliações, confirmação a suposições.
sobre
trabalho com estruturas participativas e dinâmicas de grupo desde 2017. exploro práticas narrativas.
não sou psicólogo. a psicologia localizou o problema no indivíduo. nomeou, classificou, fixou. transformou sofrimento em diagnóstico. diagnóstico em identidade. identidade em aprisionamento.
não busco o que você 'tem'. nem a descrição detalhada de acontecimentos traumáticos. busco o que a dor tenta proteger. se há sofrimento, há algo que você preza que foi ferido. busco sua resposta. pequenos gestos esquecidos.
o sujeito se forma no encontro. identidade não é descoberta. é criação. múltipla. em fluxo. o sofrimento não está dentro — emerge no "entre". nas expectativas frustradas. nos sentidos atribuídos. não opero na lógica clínico-patologizante. o problema nunca é a pessoa. o problema é o problema.
em grupos e organizações, muita "participação" ainda é performance. quando o grupo vira plateia, as respostas pertencem ao facilitador ou a uma figura de poder, o resultado é um consenso fabricado.
organizações não são máquinas que respondem a comandos lineares. cultura não se implementa por decreto. ela emerge. é o padrão que nasce das narrativas reais que circulam no café, no corredor, no dia a dia.
meu trabalho é criar condições para que novos padrões possam surgir. investigação de contexto. ampliação de vozes. sustentação de processos que se cultivam — não se encomendam.
não busco curar ou corrigir. não vejo o sofrimento como falha, mas como parte de histórias que habitamos. meu papel é testemunhar e dar visibilidade ao que já se move — habilidades, conhecimentos e respostas que muitas vezes permanecem ofuscadas.
não sou neutro. assumo meu viés. minha régua é simples: isso reduz sofrimento? isso desafia normas opressoras?
uso mapas conceituais e práticas colaborativas para navegarmos o incerto.
como a terapia narrativa se diferencia
a terapia narrativa se fundamenta em uma premissa que reorienta a conversa terapêutica: a pessoa não é o problema, o problema é o problema.
externalização em vez de patologização
terapias tradicionais localizam o problema dentro da pessoa, usando rótulos de diagnóstico. a terapia narrativa externaliza o problema, separando-o da identidade.
conhecimento local em vez de teorias universais
em vez de interpretar a vida através de teorias universais, a terapia narrativa valoriza as histórias, metáforas e significados únicos que a pessoa cria.
parceria em vez de hierarquia
a abordagem questiona o modelo do terapeuta como o especialista que detém uma solução. Aconselhar frequentemente causa mais dano do que ajuda. a relação é de colaboração e curiosidade. reconhecendo que a pessoa é a única que convive com as experiências e consequências.
diversidade em vez de normas
questiona a tirania do 'normal' e das expectativas culturais não solicitadas. valoriza a diversidade de experiências e as respostas únicas às pressões sociais.
identidades múltiplas em vez de um "eu autêntico"
entende a identidade como fluida, múltipla e relacional. não há um 'eu' pré-determinado para descobrir, mas histórias de identidade que podem ser desenvolvidas.
contexto em vez de individualização
em vez de isolar o problema dentro da pessoa, investiga como os problemas são apoiados por discursos culturais, sociais e políticos mais amplos.
metáfora em vez de análise direta
enquanto abordagens tradicionais focam na descrição literal da dor, a terapia narrativa utiliza metáforas para criar um distanciamento seguro. isso permite falar sobre temas dolorosos ou tabus de forma indireta e criativa.
formato das sessões
ao nos conhecermos teremos 10 minutos por vídeo. após isso, por padrão, as sessões serão feitas apenas por áudio — e, quando necessário, tela compartilhada para exercícios conjuntos.
isso é intencional. a câmera ligada cria ruído que atrapalha a escuta: olhar fixo e antinatural, autoavaliação constante diante do próprio reflexo, esforço cognitivo para compensar falhas de conexão. sem vídeo, o corpo pode se mover. a atenção vai para a história, não para a performance. ler mais sobre isso →
a tela compartilhada entra como ferramenta de co-criação. mapas, diagramas, documentos visuais que materializam problemas externalizados e histórias em construção. o foco sai do julgamento da aparência e vai para a construção de significado.
quando a sessão for apenas por áudio, sem exercícios em tela compartilhada, você terá total liberdade para estar em qualquer lugar — até mesmo caminhando em um parque, se preferir.
atendimento
para indivíduos
atendimento terapêutico a partir da sua história. sem patologização.
investigação de contextos e construção de narrativas alternativas.
100% remoto. gratuito e experimental.
as sessões são gravadas para minha reflexão e supervisão — com seu consentimento. isso me ajuda a ganhar perspectivas e refinar minha prática. pode ser combinado um pseudônimo para sigilo.
para grupos e organizações
facilitação com estruturas participativas em grupo. sem fórmulas genéricas.
investigação de padrões e construção de alternativas coletivas.
preencha o formulário abaixo.
contribuições
desenvolvi práticas e jogos que externalizam problemas e apoiam novas narrativas. o mapa do visitante, ferramenta para externalizar o problema como um "visitante", mapear seus efeitos e encontrar trilhas ocultas (contra-histórias); e a ecoautoria, testemunhas externas autenticam a identidade preferida, criando eco entre histórias pessoais e comunidade.
para sustentar novas histórias no dia a dia, criei os bastões de caminhada — apoios para rotinas diárias, como bastões que apoiam cada passo e permitem ir mais longe. quando o desafio é realizar ações e projetos maiores (escrever um livro, organizar um evento, mudar de cidade), o medite oferece caminhos para projetos e ações maiores, enfrentando os visitantes (medo, dificuldade, incerteza, tédio, evolução).
para descobrir novas perspectivas através de experiências diferentes, desenvolvi os palcos da vida — pessoas, atividades, locais, conteúdos e sentidos que ajudam a notar o que escapa da história saturada pelo problema.
compilei também uma biblioteca de práticas de terapia narrativa, guia vivo baseado nas obras de Michael White, David Epston e David Denborough.
escrevi o e-book jobs to be done, método de mapeamento de intenções e necessidades das pessoas, voltado para negócios.
trajetória e práticas
- certificação internacional em terapia narrativa pelo reciclando mentes em parceria com dulwich centre (austrália) (em andamento, 2026) — certificação pelo centro co-fundado por Michael White, pioneiro da terapia narrativa
- aprofundamento de estudos e práticas de pesquisa narrativa participativa (participatory narrative inquiry) de cynthia kurtz (desde 2025)
- experiência em mentoria individual e em grupo (desde 2019)
- treinamento avançado em sessões de escuta com Indi Young (2018) — abordagem de pesquisa qualitativa desenvolvida por Indi Young focada em desenvolver empatia cognitiva
- experiência em facilitação e dinâmica de grupos, especialmente usando liberating structures e práticas próprias adaptadas (desde 2017)
- experiência em entrevistas, pesquisa e investigação para descoberta e mapeamento de padrões (desde 2017)
- certificação como educador parental de disciplina positiva com a criadora e fundadora Jane Nelsen (2015) — abordagem socioemocional para educação de crianças e adolescentes
- a experiência do diálogo (2014) — curso presencial em grupo. influências principais de David Bohm e Krishnamurti. formas de conversação, fundamentos e práticas do diálogo. metodologia dialógica, prático-teórica, sócio-construtivista.
- estudo e prática de comunicação não-violenta em grupo por alguns meses com facilitadores certificados (2012)
outras experiências
antes de iniciar estudos sobre terapia narrativa em 2025, estudava terapia da aceitação e compromisso e entrevista motivacional, tentando aplicar princípios e conceitos em dinâmicas de empresa e atendimentos de mentoria.
estudo, realizo experimentos e crio sistemas com inteligência artificial (large language models) desde o fim de 2022.
apoiei profissionais em diferentes níveis de escopo de atuação profissional — de ceos e diretores a times de produto e pessoas — a navegar complexidade em produto e tecnologia. em vez de implementar modelos prontos, facilitava experimentos para tornar estratégias mais robustas à realidade.
em 1998 comecei a trabalhar com desenvolvimento de software e ao longo dos anos passei por gestão de produtos digitais, gestão da área de rh, professor sobre liderança, consultoria em autogestão, estratégia de produto, research e cultura organizacional. esse caminho me deu uma visão prática das fricções que atrapalham interações em grupo.
formação em marketing (2003).
meus textos
espaço calionauta — reflexões sobre filosofia prática, hábitos, narrativas, cultura e vida.
ir para o blog →contato
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